quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fé



As pessoas desacreditadas, sem esperanças, rapidamente perdem sua fé. E é justamente nessa hora que devemos mantê-la. Eu entendo, é um fardo enorme de se carregar ao ver seus planos irem por água abaixo e não conseguir encontrar uma saída de imediato, mas "alguém lá em cima" sempre abre outra porta antes de fechar a nossa, só levamos um tempinho a achar.

As pessoas no seu inconsciente pensam que a fé é tão curta quanto o tamanho da palavra. Eu já acredito que às vezes as palavras justamente já são pequenas, por que o significado é de uma incrível grandiosidade. A fé sustenta a alma e alimenta o coração.

No final, por mais desanimados e desistentes que estejamos, a gente sempre acredita, nem que seja um pouco, mas não fala, como se fosse para o azar não ouvir e estragar o jogo da vida.

Você pode perder muitas coisas na vida, oportunidades, chances de ser feliz, pessoas importantes que a vida levou ou a morte carregou; pode perder muita coisa, mas também muitas delas conseguirá recuperar depois, por que tudo que amamos de fato nunca perderemos.

Mas e a fé?
Bem, eu diria:

"Nunca perca a sua."

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Repetidas vezes



Sim, eu repeti várias vezes, e sempre ouvia o eco, não um eco de vazio, mas o do retorno. Continuava repetindo, e adorava ouvir. Mas foi diminuindo, e eu sentindo a penumbra me abraçar, uma fraqueza no peito e aquela ansiedade que nem o fumante mais inveterado ao ficar sem a porcaria do cigarro sente. Latejava, doía como a exclusão da sociedade aos olhos do mendigo, mas como ele, obrigado a acostumar.

Insisti, gritava, depois passei a falar em tom alto, depois a altura normal, sussurro, balbuciava, pensava e me calei. Mas ainda pensava e sentia. Foi sumindo, mas eu agarrava com força, numa pretensão sem direitos.

Queria ao menos ter certeza que do outro lado havia uma concordância, uma resposta, o mesmo que eu exclamava, o mesmo pelo qual eu costumava viver.


Enfim, cansei não querendo cansar, mas minhas mãos exaustas e meu peito dilacerado e sem ar me convenceram.


Parei de dizer: "Eu te amo".

domingo, 21 de setembro de 2008

Era a sua hora?




Me diga por favor
diga seus problemas
a causa da sua dor
da sua vida apenas

não entendo por que
você foi embora
era seu destino?
era a sua hora?

Agora estou sozinho
pensando num futuro
buscando um caminho
procurando um novo rumo

Eu não te procurava
pra poder falar
o quanto eu te amava
achei que sempre estaria lá

Espero que onde está
seja feliz no seu novo lar
momentos, lembranças
sei que vou guardar

saudades vão ficar...de você.

Nada...



"Parece que nada antes de você existiu, e que nada faz sentido depois que você partiu..."

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A nossa pipa



Lembra quando mesmo o vento estando contra, nós o utilizávamos ao nosso favor? Quando tocávamos o céu, esbarrávamos em nuvens e todos os pássaros que passavam por nós eram verdes?
Eu lembro. Sei que você também lembra. Sabemos que quando o vento contra é forte demais, ele pode rasgar uma pipa que precisa dele para sobrevoar. Sabemos também que mesmo rasgada, há tempo de recolhê-la, repará-la e, em outro tempo, tornar a levá-la aos céus , fazendo de um simples ato de empiná-la novamente, a chave para um sorriso de um pequenino. Que um dia também vai suspender sua paixão no alto do céu para todos verem o seu amor, mesmo sendo talvez limitado por algum fio de nylon. O mesmo que nos separa.

sábado, 30 de agosto de 2008

Aos meus músculos


Demorei algum tempo para postar o texto de hoje. Me deparei com uma página em branco. Sim, a mesma sensação de um vazio. Do nada. Do início do fim, do fim de um belo início. Pergunto entre lágrimas aos meus músculos uma questão para cada um deles:

Aos músculos dos braços: "Por que a deixei escapar? Não lhe dei amor suficiente? Não amparei suas lágrimas, não lhe dei o acolhedor abraço de despedida e do reencontro?"

Às pernas: "Correste tanto, não acha que deveria ter corrido mais? Duvida que as cãimbras valeram a pena? Sabes por que perdeste o entrelaçar das pernas entre as dela?"

Aos músculos do rosto: "Sentirá saudade de sorrir tão rasgadamente quando a via? Quando ela com seu jeito bobo lhe florecia o bom humor? Quando choravam feito crianças bobas ao verem filmes de drama?"

Às mãos: "Saberá percorrer outro corpo com tamanha maestria como fazia? Terá outro rosto lindo e macio para transmitir o maior amor do mundo? A imensa ternura?"

Ao coração: ....este não quis me ouvir, e nem falar, está triste, com raiva, com esperanças, e esperando ainda...mas não sabe quanto tempo consegue suportar a espera...este músculo nada mais faz....este...só me bate.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Vício


A saudade é uma droga, e a cada dose que te vejo, sacio meu desejo momentaneamente e me mantenho dependente da sua boca em minha mente.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Interminável



Minha saudade é interminável, é infinita. Sinto sua falta como a Lua da companhia das estrelas, as estrelas da noite, e a noite da Lua...

...mas eu estou aqui em baixo, sem saber quando conseguirei te tocar, pois admirar, é o que tenho feito em minha vida desde o nosso começo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A "última" conversa


Ela disse "não seja louco!". Mas eu ignorei, pois tinha algo a fazer...não perdê-la.
Cheguei em sua cidade, caminhei até a casa, parei em frente, tirei meus três brincos e um piercing. Eu já havia feito a barba e estava trajado de forma social. Bati na porta. Um senhor me atendeu, suas pupilas dilataram ao refletir minha imagem, franziu o cenho. Ficou mudo. Esperei alguns minutos até que ele resovesse me dirigir a palavra. Com uma calma que contrastava com minhas mãos perdidas entre meus bolsos e braços, sentou-se, olhou fixamente para meus olhos, como se eu o desafiasse. Disse-lhe tudo que fui, o que sou e o que almejo ser, falei do meu caráter, das minhas creças e principalmente do meu amor por ela. Ele balançava a cabeça negativamente para quase tudo que saía de minha boca.
Depois de quase mais de uma hora abrindo meu peito, tinha cansado. Dei todos argumentos necessários e além de verdadeiros, ele preferia se manter cego e ignorante ao simples e terno.

Me levantei e disse:
- Sabe por que hoje estou sem brincos, piercing, barba e trajado de forma mais social? - ele só me olhou, piscou as pálpebras vagarosamente e fez menção a uma resposta de "não". - Por que o senhor só vê rótulos, sua mente provavelmente está tão fechada quanto seu coração, pois só pensa em si, e não nas pessoas que lhe rodeiam, e se me forcei a aparentar diferente, a mudar minha personalidade momentaneamente, é por que o senhor nunca verá uma pessoa pelo seu caráter, pro senhor a capa do livro define tudo não é? - levantei e saí.

Ao ir embora, nem ao menos fui até ela para beijá-la. Não havia mais o que fazer, não sozinho. Talvez se ela arriscasse mais, se não tivesse tanto medo de ser tornar independente de verdade, ao contrário do que ela sempre acreditou por brincar de ser.

Mas eu tentei.

sábado, 16 de agosto de 2008

Uma volta


Me sentia oscilando entre a vida e a morte. Não sabia ao certo se estava vivo.

Fui, voltei, fui novamente. Caí, chorei, levantei. Riram de mim, fui tachado de coitado, fui amaldiçoado. Mas também fui abençoado e carregador de pensamentos positivos. Fui negativo.
Quando saí, achei que seria apenas uma volta, e assim sofri um caminho sem horizonte, um chão trincado e o vento abafado a queimar meu rosto. Pensei que fosse apenas uma volta. Mas tive que aprender a ver a hora passar, as pessoas dizerem "adeus", a ser o único a ficar, o único a não sorrir, e quando sorrisse, que fosse por poucos segundos e de forma amarela. Acostumei a ser o último a apagar a luz, era como se fosse uma maldição. Porém, aprendi com minhas lágrimas, e nelas nadei para poder retornar ao seio de minha vida, e como uma explosão que surge do mais absoluto silêncio, gritei que estava vivo, na mesma ânsia de quem sai da submersão do mar revolto. E entre lágrimas de um sorriso tímido mas vencedor, superador. Trêmulo me ajoelhei e nunca antes em minha vida tinha enxergado tudo ao meu redor tão pequeno. Foi uma mistura de sentimentos, entre elas, a que muito ainda havia a ser feito apesar do êxito.

E ao me verem correndo transbordando brilho de meu semblante, disseram-me: "Por que estás tão feliz?
Eu respondi: "Nada, apenas uma volta..."

Eu estava vivo...