quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Às voltas do relógio


É um caminhar repetitivo
olhares (in)voluntários a um mesmo ponto fixo
ponteiros que apontam a todas as direções
o coração adormece
a cabeça pesa e os pensamentos flutuam
são possibilidades, razões e teorias
são fórmulas para resolver essa questão quântica
a lógica que se derrama sobre a ansiedade
aos poucos torna dormente essa sensação incômoda de vazio
do passarinho desolado ao não encontrar o ninho.
Incontáveis formas de se contar o conto sem final feliz.

Mas tudo isso se esvai na mesma hora...
em que você surge com um sorriso na porta.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A linha azul

Às vezes as pessoas mais especiais estão conosco no dia-a-dia e não percebemos. Olhamos o azul do mar no horizonte admirando a linha tão distante e imaginando como deve ser a sensação de navegar desvendando o desconhecido na busca de um sonho: ter alguém que nos ame de verdade. E assim passamos a não ver que na margem, nas pequenas marolas, o mar nos traz aos nossos pés, tudo aquilo que sonhávamos.

E como no primeiro choque da água que vem gelada nos nossos pés, nos assustamos, mas a sensação nos faz lembrar o arrepio que as grandes emoções da vida nos reservam.

Hoje sei, que você não só me faz sentir um arrepio, mas me despertou para a vida, e que agora juntos podemos ir para aquela linha azul no horizonte. Quero sempre poder estar ao seu lado, a cada tormenta e a cada nascer do sol, da popa à proa quero dizer o quanto você já faz parte de mim, e o quanto continua a ser mais importante a cada meio segundo transcorrente.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Filosofias de um boteco: parte II

"Quando a esmola é demais, o mendigo vai às compras."

Filosofias de um boteco: parte I

"A verdade dói. Só dói. Já a mentira corrói."

"Às vezes na simplicidade é que se encontra a complexidade."

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Verdades do gargalo

Sorri, sorrio, sorriria...sorrirei algum dia.
A bebedeira chega trazendo facilmente o que em minha lucidez pareceria um desafio
gargalhadas!
às vezes o álcool tem razão.
O efeito passa, a consciência retorna, e o bom senso nos faz sorrir pela besteira de desacreditar na vida.
Hoje sorrio de novo. E muito.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Haikai: mesmo assim

Tão rápido o Reveillon se aproxima,
confirmando um ótimo ano em que,
mesmo com algumas derrotas, saí por cima.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Haikai: recado de geladeira


Saí na pressa pro emprego!
Tem nostalgia no gelo
de um amor que ficou azedo.

sábado, 26 de setembro de 2009

O bom escritor às palavras torna

Um ano se passou e muita coisa mudou, como não poderia deixar de ser.
Foram pensamentos, conceitos, crenças, certezas e dúvidas. A inexperiência deu lugar à maturidade, ainda não totalmente completa, mas num patamar mais confortável. Afinal, nunca deixamos de precisar amadurecer mais.

Mas enfim, foi uma viagem longa, cansativa e dolorida, com muitas surpresas boas e outras nem tanto. Foram dias na janela de um trem que oscilava e solavancava, e o aroma de mudança se ergue a cada quilometragem deixada para trás. Foram milhares de pontos de vistas sobre a minha vida. Sobre meu lado profissional, sobre família, sobre meus erros, sobre amigos verdadeiros, sobre como agir e se postar para enfrentar as bombas que a vida larga nos nossos pés. E claro, pensei muito nas chagas do meu peito, nas marcas e cicatrizes que hoje incomodam apenas, mas que me fazem saber que vivi e por isso tenho o direito de carregar certa experiência.

Viajei pra muito longe de mim, mas eu encontrei o meu destino.
Trago em minhas malas lembrancinhas, souvenirs, e muita história pra contar. Saí de uma penumbra que me ocultou um tempo da vida, e agora ao desfazer as malas e ver tanta coisa mudada ao meu redor e em mim, percebo que há muito mais além do muro do que eu imaginava. Como diria Tim Maia "...há tanta vida lá fora..."
Vejo que muita coisa ficou no mesmo lugar, assim como outras que mudaram da água pro vinho ou até pra graspa.

Bom, chego com muitas novidades que a vida me deu de presente, as boas e as ruins me fizeram crescer. E a partir de hoje quero expor meu estado de espírito por meus textos. Chega de dor, chega de saudade melancólica, vamos escrever das coisas que movem nossos mundos, nossos sonhos. Eu havia enterrado meus sonhos, hoje trago comigo novos, baseados na minha nova vida que transformei em realidade antigos desejos.

Aliás, deixem-me desfazer as malas. Na sala teremos muito o que conversar sobre a minha viagem. E acreditem, há coisas muito melhores de se falar do que paixões mal resolvidas e amores desertados.

Estou de volta.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Agradecimentos






Antes de tudo, quero agradecer a todos que visitaram meu blog e apreciaram o nascimento de um poeta, um escritor de ocasião.

Este escritor/poeta que vos escreve agradece a todos que visitaram ao menos uma vez este espaço o qual me dediquei em torno dos últimos 10 meses. E mesmo que você tenha entrado pra dar uma olhadinha rápida, valeu a pena expressar desde as alegrias que tive em minha vida, até o tombo do meu coração.

Junto com este blog, nasceu em mim uma paixão, que me levou as alturas e ontem como um golpe de misericórdia, me empurrou do avião sem pára-quedas.


Paro de escrever neste blog pela simples explicação: um poeta nasceu com ela, e agora morre sem ela. Eu precisaria dela para continuar inspirado, pra seguir sonhando e vivendo algo que nunca tive e que certamente terei mais, não com a mesma intensidade.

Infelizmente, os pensamentos dela são inversamente proporcionais aos do início de tudo.


É estranho como tudo que é "pra sempre" não ganha 1% do amor que se jurou.


Paro por que não vejo mais razão pra expressar o que sinto por ela, se não devo mais sentir.

Paro por que não quero outra musa inspiradora, paro por que ela é e será sempre única para mim, pois ao lado dela cresci demais, vivi demais, sonhei e eu ainda preciso mais. Mas por sonhar mais, fui condenado. Por ter as circuntâncias contra mim, que sei que mudarão e ficarei bem de novo, ela não soube e não quis esperar. Pra onde foi todo aquele amor das cartas bilhetes, e-mails, recados e ligações? Onde ficou a coragem? Onde está apessoa segura de si, autoconfiante e cheia de planos? Que hoje vejo acuada e constrangida como quem pede esmola, disse que me acomodei, mas ela ainda não cruzou pelos espelhos da casa.


Terei de conviver com o "se". Pois por motivos absurdos, e por falta de fé e coragem, perco quem mais amo. Eu tentei, mas lutar sozinho uma guerra perdida, não serve para mais nada, a não ser colecionar cicatrizes e dores prolongadas.


Mais uma vez agradeço através deste que será meu último texto postado neste blog, e enterro junto com tudo que vivi com ela o poeta que ela despertou e fez nascer no meu peito no dia 29 de novembro de 2007, numa tarde mais do que mágica e inesquecível. Desculpem-me a qualidade deste texto, não saberia classificá-lo literariamente, talvez de "lixo" e ainda assim vai ficar mais sonoro do que ouvir um "não dá mais". Mas esse texto não passa de um desabafo dolorido com idéias desconexas para alguns, mas cheio de entrelinhas para mim.


Ela me disse pra parar de sonhar, e ser mais realista. Então agora passarei a dormir de olhos abertos. Um viva para a vida crua, sem cor e sem esperanças. Que se dane o amor e as pessoas que nos querem bem, que se danem as músicas românticas, os momentos mágicos, as viagens de horas para desfrutar poucos minutos que fossem, as declarações, as composições, as surpresas todas. Vamos viver condicionados, como latas com circuitos e programações. A gente conhece alguém legal, diz que ama, examina a carteira e diz pro pai que esse pode. Colocaremos na cabeça que somos felizes e tudo fica mais fácil. Por que é cômodo e não gera caras feias.


Aqui jaz um coração, uma alma e um pedido de reconsideração.

Te amei demais.



Um abraço a todos. E um aceno a ela.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008